sábado, 27 de agosto de 2011

Quem conta um conto...

Nada com uma história bem contada. José Rezende Jr. é um desses caras que nos inspiram a ver o mundo de um jeito diferente. Leia e inspire-se também! Ele publicou recentemente um livro que não largo e que ganhei de presente! :) O título é Estórias mínimas, microcontos de até 140 caracteres. Vale a pena!



O AMOR SURDO, MUDO, MORTO

José Rezende Jr.

O moço gesticula feito louco. Agita os braços, abre e fecha as mãos, move os dedos, risca o ar com raiva surda e muda. De vez em quando a moça balança a cabeça, encenando um “não” de incredulidade e tristeza. A briga chama a atenção dos pedestres que esperam a travessia da pista, nem tanto pela desavença em si, mas pelo silêncio estridente em que o amor acaba.

O moço vira as costas. A moça pousa levemente a mão em seu ombro, depois aperta com força, faz com que ele a olhe nos olhos. Agora é ela quem gesticula. O olhar dele tem faíscas. As mãos dela trovejam mágoas. Brigam em silêncio, porque não conhecem outro brigar e porque foi assim, com a linguagem secreta das mãos, que teceram ao longo do tempo este amor quieto, inquieto, prestes a se perder para sempre.

A moça eleva o tom dos gestos, o moço interrompe segurando os pulsos dela: não quer ouvir mais nada. Tendo as mãos caladas, a moça tenta falar com os olhos, mas o moço desvia o olhar. Ela abre a boca, quer que ele a escute, mas de sua garganta muda sai apenas um grunhido de desespero, que o moço não pode nem quer ouvir.

O moço volta ao ataque, agita os dedos na altura do rosto dela. A moça cobre os olhos com as mãos para não ter que ouvi-lo. Ele a agarra outra vez pelos pulsos, exige que os olhos dela escutem toda a sua raiva. A moça não quer acreditar que as mãos que ainda ontem contavam histórias de amor pelo seu corpo inteiro sejam as mesmas que agora lhe açoitam a alma.

Os pedestres adiam a travessia, assistem sem pudor à cerimônia do fim. O moço e a moça miram-se por alguns segundos, com os olhares mudos. Exausto, o moço arranca do dedo o anel que tem gravado o nome dela, ao lado da data em que o amor foi declarado eterno. Quando sai, o anel deixa no dedo dele uma marca branca e ácida. A moça cruza os braços de horror, para não receber de volta o anel que o moço lhe estende e para não ser forçada a devolver este outro, igual, que reluz em seu dedo fino, com o apelido carinhoso dele gravado na tarde de um sábado antigo.

Irritado com a recusa, o moço abre a mão e deixa o anel escorrer entre os dedos, até tocar o chão sem qualquer ruído. Com o desespero estampado em cada linha do rosto, a moça vira as costas, hesita por um ou doi ssegundos, e então atravessa a pista, correndo. Só quando chega do outro lado é que ela se volta e grita com as mãos desgovernadas, querendo perdoar ou ser perdoada, mas desta vez é ele quem lhe dá as costas.

A moça então vai embora, surda, muda, e agora cega pela cortina de sal que lhe turva os olhos. É quando o moço desaba em si. Apanha o anel no chão, tenta atravessar a pista, o sinal está aberto, ele insiste, tropeça, tenta correr de novo, os carros freiam, buzinam, os motoristas xingam enquanto ele, paralisado no meio do asfalto, os dentes cerrados, grita o nome dela com os olhos, com as mãos, com a alma inteira despedaçada.

Mas a moça não olha para trás. Nunca mais verá o moço que grita em silêncio, no silêncio da cidade histérica.


(*) do livro "Eu perguntei pro velho se ele queria morrer (e outras estórias de amor)" / editora 7 Letras, 2009

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Degustação de Queijos! Pra mineira aqui ficar contente! :)


Mais uma vez a convite do OBA Gastronomia, fomos, Milena e eu, fazer uma visitinha gastronômica! 

A Tirolez promoveu no último dia 03, uma bem humorada e didática degustação de queijos. 

O Sr. Disney Criscione, queijólogo da marca, explicou detalhadamente os processos de fabricação, bem como os porquês das diferenças de sabor, quem leva fermento, que leva corante, etc. Além de dar dicas sobre armazenamento e sugestões de consumo. 

Os queijos apresentados foram: creme de ricota, minas frescal, mussarela, prato, esférico, estepe, edam, gouda, gruyére, emental, brie, provolone, reino, parmesão, gorgonzolla, grana, blue de bresse. Todos deliciosos. Cada um com sua peculiaridade, aroma e textura. 

Saimos de lá mais interessadas no mundo dos queijos do que já éramos! E conhecendo um pouco melhor esse universo tão vasto!

Foi muito enriquecedor e divertido. Se você tiver a oportunidade, abrace, vale a pena!



sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Jantar Borges – Chef por um dia


Ainda não inventaram situação melhor do que estar entre pessoas queridas. Pode parecer estranho conhecer alguém há tão pouco tempo e já ter a certeza de que a amizade vai durar. Tem sido assim com minha parceira Milena e ontem tive certeza disso com a Cleusa Steffen e os respectivos maridos. Há um respeito mútuo, além dessa sensação de companhia muito agradável.


Participamos, marido, meus amigos Milena e Armando Caldeira de um evento promovido pela Borges Alimentos, que fabrica azeites e vinagres de primeira linha. Com uma equipe muito bacana, selecionam um cliente que gosta de cozinhar, que prepara um jantar saboroso, regado a muito azeite, vinagres especiais e bons vinhos. Na primeira vez em que participei, quem cozinhou foi o Marcio Magri, desta vez, a estrela foi a Cleusa Steffen que nos deixou muito felizes com seu filé mignon selado no azeite  com redução de balsâmico, mel e maracujá, arroz da chef e legumes ao azeite e um toque de vinagre.           


 Entre o prato principal e a sobremesa, dei uma palhinha nervosíssima, por livre e espontânea pressão! HAHAHA! Cantei A Rita do Chico Buarque e consegui esquecer a letra! Só eu mesma! Quase morro de vergonha! Mas adorei mesmo assim! Olha bem pra minha cara na foto! MICO!
A sobremesa foi bastante apreciada, um sucesso. Bolo de chocolate e coco sem farinha, sorvete de nozes caseiro com fio de azeite com casquinha de limão (sensacional!) e morangos temperados com vinagre balsâmico Borges Reserva. As receitas virão em breve!



 Para finalizar, o café servido com os cantuccinis deliciosos preparados pela própria Cleusa.

 
Além da boa comida, companhia e boas risadas, fica a certeza de que outros encontros como este podem frutificar em boas amizades, e isto não tem preço!





 Armando e Milena Caldeira, Cleusa Steffen

*Todas as fotos são do Facebook da Borges! (Facebook da Borges)